12 de dezembro de 2011

Nossa Árvore de Natal

Sexta-feira foi o grande dia da nossa já tradicional (pelo 2º ano consecutivo) compra do pinheiro de Natal. Eu me arrisco a dizer que praticamente todos os habitantes de Aruba compram pinheiros, eu nunca conheci ninguém que tivesse árvore artificial em casa.

Ao contrário do que muita gente pensa, o consumo de árvores naturais é bem mais ecológico que o de artificiais. As razões são: no fabrico de árvores articiais são liberados poluentes cancerígenos. Além disso, elas são feitas à base de policloroeteno, uma substância derivada de combustíveis fósseis e não passível de reciclagem. E ninguém usa a mesma árvore artificial a vida toda, certo? Normalmente elas duram de 2 a 3 natais e depois são deixadas de lado. Já as árvores naturais para começar tem um cheiro delicioso e são cultivadas especialmente para esse fim. São totalmente biodegradáveis e, se forem compradas com raiz, podem ser plantadas de novo. Infelizmente aqui em Aruba, não existem à venda pinheiros com raiz, mas eu sei que, em São Paulo, por exemplo é possível encontrar pinheiros assim. Claro que o mais ecológico mesmo seria não comprar nada e fazer uma árvore com material reciclado. Mas como eu não estou nesse estágio de evolução ainda, eu me contento com meu pinherinho cheiroso.

Agora vamos à tradição local. No fim de novembro, começam a aparecer tendas montadas em lugares diversos: estacionamentos de supermercados, postos de gasolina, etc. E nessas tendas, você encontra os diversos tamanhos de árvore expostos com o preço. Você escolhe um tamanho e eles buscam uma árvore toda enroladinha numa rede. Eles abrem a árvore para que você veja se está satisfeita com a folhagem e a aparência geral e se tudo der certo, eles enrolam a árvore com a rede de novo para que ela seja levada para casa.

Tenda de venda de pinheiros e artigos de Natal
Árvores em exposição

Desde a semana passada já estávamos pesquisando o preço e dando uma olhada na qualidade das árvores de vários lugares. Foi então que a minha super experiente concunhada me deu a dica de qual era o último lugar a receber árvores. Pausa para explicação: quando se vive numa ilha tão pequena, é preciso acostumar-se à questão do abastecimento. Quase tudo vem de fora, então saber a data da chegada do contêiner de um produto específico é uma informação valiosa. E saber a data da chegada do último contêiner de pinheiros garante que aquele seja o produto mais fresco, o que significa que a árvore vai durar mais sem começar a perder suas folhas. Ano passado, na época do Natal, a nossa árvore já estava toda marrom, em vez de verde, e eu tinha que varrer a sala duas vezes por dia para limpar as folhas.

Então, ciente de que o lugar com as árvores mais frescas tinha recebido seu produto, fomos lá para a compra. A nossa casa tem o pé direito baixo, então eu tinha em mente que queria uma árvore não muito mais alta que eu. Olhei essa árvore com a etiqueta redonda das foto acima e pedi para o rapaz da loja: uma árvore C3, de 125 florins (uns 110 reais). E quando ele voltou, eu tive a impressão de que a árvore era maior do que a que eu tinha pedido, mas achei que era impressão. Na hora de pagar, ele foi fazer a notinha e me veio com um papel de 180 florins. Eu falei: está errado, a etiqueta da árvore põe 125. Ele disse: mas eu trouxe um modelo maior. Eu disse: então dá pra buscar outra, do modelo que eu pedi? Então, acho que por pura preguiça, ele escreveu outra notinha com o preço de 125. E lá fui eu para casa com uma árvore que eu não tinha certeza que ia caber.

Decorações para todos os gostos

Nossa árvore sendo preparada para o transporte

A árvore tocou o teto, mas coube
Filhota exultante com a perspectiva de horas de entretenimento

Ano passado, nós tínhamos mudado fazia pouco tempo para Aruba e como tivemos que comprar todos os eletrodomésticos (grandes e pequenos) de novo por causa da incompatibilidade de voltagem entre Europa (220v) e Aruba(110v), além de um carro, não tínhamos quase dinheiro para decoração de Natal. Foi então que minha sogra nos presenteou com uma árvore pequenininha (metade da desse ano) e bolas que sobraram de mais de 40 anos de natais celebrados, além de luzes pisca-pisca. A filhota adorou as bolas e enfeites desconjuntados, alguns deles únicos e todos certamente com uma história. Por isso, esse ano, para complementar as nossas decorações natalinas variadas, eu comprei uns enfeites extras, todos coloridos e diversificados. A nossa árvore pode não ter um tema (muita gente pergunta: com que cores você vai decorar a árvore esse ano?), mas tem um aspecto alegre e jovial ;).

Nosso primeiro presépio ganhado sete anos atrás, quando nos casamos
Quando crianças ajudam, algumas parte da árvore acabam recebendo mais atenção
Colorida e diversificada

2 de dezembro de 2011

Casas e apartamentos

Muitos brasileiros não sabem, mas existem outras formas de hospedagem em Aruba além do hotel oferecido no pacote da operadora de turismo. Dá um pouco mais de trabalho e não é tão simples quanto chegar ao aeroporto e buscar a plaquinha da pessoa que vai te levar para o hotel, sem preocupações. Mas, se você é como eu, que não se importa em buscar ofertas pela internet, pesquisar recomendações de outras pessoas que já se hospedaram antes, alugar um carro para ter a liberdade de fazer os passeios que quiser, na hora que quiser, esse post é para você.

Uma forma de hospedagem pouco conhecida e bem mais em conta são os chamados "apartamentos". A noção de apartamento é bem diferente do que temos no Brasil. Não significa que o apartamento vai estar num prédio ou que você vai ter subir escadas, por exemplo. Os apartamentos são como um quarto e sala, com uma cozinha pequena, mas equipada. Seria como um quarto de hotel, num lugar que não é exatamente um hotel. A estrutura básica de um apartamento é: um quarto com uma cama de casal grande, normalmente king size, uma cozinha pequena, com geladeira grande e equipamentos básicos, tipo microondas, liquidificador, panelas e fogão sem forno e uma saleta, com um sofá cama, o que significa que os apartamentos normalmente comportam umas 4 pessoas confortavelmente. Existem apartamentos com 2 quartos também. Dentro dessa categoria de apartamento, existe uma variedade muito grande. Existem os perto da praia com wi-fi, estacionamento, piscina e serviço de limpeza e existem os construídos nas casas de locais, que pode ser em qualquer bairro, porque muita gente consegue um dinheirinho extra construindo apartamentos nos fundos de sua casa. A variação de preço também é grande e vai de acordo com a temporada. Na alta temporada, o preço pode variar de uns $70 a uns $140 por dia. Na baixa temporada, é possível encontrar quartos a partir de $40 a diária.

A alta temporada em Aruba é exatamente agora, os meses de dezembro até abril, que são o equivalente do inverno americano. É na atual temporada que os hotéis lotam, com as pessoas fugindo do inverno do hemisfério norte. E também é agora que todos os navios cruzeiro excursionam pelo Caribe. Ontem mesmo, eu notei nada mais nada menos que quatro navios gigantescos atracados no porto.

Outra forma de hospedagem, essa mais recomendada para famílias grandes ou grupos grandes são as casas de veraneio, chamadas de villas ou condos. Essas casas costumam variar entre luxuosas e muito luxuosas e normalmente tem entre 3 e 6 quartos. O preço também é bem mais alto, por isso só valem a pena quando grupo é grande. O aluguel costuma ser semanal, a partir de uns $1.300 por semana e normalmente os que alugam especificam qual o número máximo de pessoas eles aceitam na casa. Muitas dessas casas contam com um serviço de limpeza, pago à parte.

Tem gente que tem medo de optar por esse tipo de hospedagem, mas a verdade é que é um sistema bastante seguro e a transação costuma ser super profissional. Vou passar um link do tripadvisor com muitíssimas opções de hospedagem que não são hotéis para que aqueles que pensam em vir por uma temporada mais longa, gastando bem menos do que vocês imaginam.

28 de novembro de 2011

Encontro Brasil-Holanda



Hoje o Brasil saiu em todos os jornais locais. Tudo por conta do encontro bilateral Brasil-Holanda que está acontecendo essa semana em terra brasilis. A notícia em português pode ser lida aqui.

Na parte que toca a Aruba: fazem parte da comitiva dois ministros locais, o de turismo e o de fazenda. Segundo dizem, o ministro de turismo está tentando algum acordo com a Gol para que ela transforme Aruba numa espécie de hub caribenho para outros países, do Caribe ou não. Também ao parecer estão sendo negociados acordos no campo de energia alternativa (Aruba tem um dos maiores percentuais de energia eólica do mundo) e também de refinação de petróleo.

O comentário local é que o Brasil é a grande noiva. Todo mundo quer tentar conquistar um pedacinho do boom econômico, mas se algum resultado prático vai sair mesmo, acho que vai demorar um tempo para saber.

19 de novembro de 2011

Até o fim


Em outubro eu completei dez anos fora do Brasil e nove anos junto com meu marido. E eu posso dizer com bastante segurança que em todo esse tempo não houve uma única vez que, ao ouvir falar de uma notícia de morte/velório/enterro, ele não expressou espanto com a rapidez que esse ciclo se completa no Brasil.

Ele (e todos os outros estrangeiros que já conheci) fica absolutamente chocado ao ouvir que existem pessoas que são enterradas no mesmo dia que morreram e até já me perguntou se no Brasil alguém já ouviu falar de catalepsia. Eu já respondi que sim, mas aparentemente ninguém dá muita bola para isso ou prefere acreditar que é algo que só acontece com os mortos dos outros.

Nos três países que já morei, Espanha, Holanda e Aruba, o processo acontece mais ou menos assim: o enterro acontece entre 4 a 7 dias da morte e o velório acontece neste período. O corpo normalmente fica na geladeira da funerária e a família pode optar por condolências com o corpo presente ou não. O mais comum é que a família vele o corpo a sós e as condolências sejam recebidas numa sala da funerária ou em casa. O lugar de receber as condolências, assim como o horário são publicados no jornal. Aliás, a questão do anúncio no jornal é muito curiosa aqui em Aruba. Além da família anunciar, também as empresas/instituições que tinham alguma relação com o morto ou com sua família o fazem. Por exemplo, saem muitos anúncios assim: estamos consternados em anunciar o falecimento de fulano de tal, (avô, pai, irmão, marido, primo, cunhado, sogro, tio) da nossa funcionária fulana de tal. Isso faz com que cada morto tenha vários anúncios e também que os jornais tenham várias páginas de obituário, mesmo com poucas pessoas falecidas. Eu já cheguei a pensar se as empresas tem uma verba especial para estes anúncios.

Talvez muitos brasileiros pensem que não existe nenhum motivo para esperar para enterrar, principalmente quando a questão da catalepsia pode ser descartada (num acidente, por exemplo). Mas outro grande motivo é que sempre se espera pela chegada de parentes para que eles também possam passar pelo processo de se despedir da pessoa querida. Aqui ainda existe o fato de que, na grande maioria dos casos, existem parentes que vivem fora, normalmente na Holanda, que tem que fazer seus arranjos para poder vir ao funeral. Eu, pessoalmente, acho essa decisão bastante respeituosa com os que vivem longe e importante para o processo de luto.

Antes do enterro acontece a missa de corpo presente. Em Aruba não existe crematório, por isso todas as pessoas são enterradas. Nem aqui, nem na Holanda, nem na Espanha existe a missa de sétimo dia nem nunca se ouviu falar disso. Como esse processo de tornou tão rápido no Brasil é uma curiosidade que eu tenho assim como saber se essa rapidez tem paralelo em algum outro lugar do mundo ou é exclusiva nossa.

14 de novembro de 2011

Presente real

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9 de novembro de 2011

Como funcionam os postos self-service

Hoje o preço da gasolina baixou (0,004 florins) em Aruba pelo segundo mês consecutivo, uma notícia que deve parecer bizarra para qualquer brasileiro. Aqui o preço da gasolina baixa ou sobe uma vez ao mês. A variação é ínfima, como vocês podem ver, mas existe. Há um departamento do governo que aparentemente só trabalha para isso: decidir quanto vai ser o preço. Esse preço, ao parecer, é baseado numa média mundial do preço do galão de gasolina. Ou algo parecido. Meu marido tentou me explicar como se calcula esse preço, mas ou ele explicou mal ou eu entendi pior.

O preço atualmente está em 2,266 florins ($1,295) por litro. Esse é o preço da gasolina premium, já que aqui não existe gasolina comum. Para aqueles que pretendem alugar carro em Aruba, eu preparei algumas dicas sobre como abastecer.

1. Os postos funcionam em esquema de self-service, mas às vezes tem alguém para por a gasolina para você. Algumas vezes, aposentados ou imigrantes que querem ganhar uma graninha extra ficam nos postos se oferecendo para ajudar. Normalmente eles não são empregados do posto, embora muitas vezes tenham um boné ou até uma camiseta com o logotipo do lugar. Como eles não tem salário, lembre-se de deixar um dólar ou dois florins de gorjeta pela ajuda. Esses "ajudantes" são mais comuns durante a semana, nos finais de semana eles desaparecem e daí você vai ter que por a gasolina você mesmo. Calma, não é nada do outro mundo. Todo mundo aqui consegue encher o tanque do próprio carro, você também vai conseguir.


2. O sistema funciona assim: você pàra em frente à bomba de gasolina, olha o número dela para dizer no caixa e entra no posto para pagar, antes de por a gasolina no seu carro. Se você pagar 20 florins, por exemplo, a bomba automaticamente vai parar de dispensar gasolina quando o marcador chegar a esse preço. Os preços sempre vão estar em florins e não em dólares!

3. Não são todos os postos que aceitam cartão de crédito, por isso dê uma olhada na janela onde normalmente eles poem que tipo de pagamento que aceitam. Por outro lado, grande parte dos cartões de débito brasileiros funcionam aqui, da mesma maneira que eu uso o meu cartão de débito tranquilamente no Brasil. Veja se o seu cartão de débito tem o chip maestro, cirrus ou visa electron, que costumam ser os mais comumente aceitos.

4. Se você quiser encher o tanque, você vai ter que pedir que eles abram a bomba para poder fazê-lo. Se eles vão abrir ou não, depende do humor de cada um e deles irem com a sua cara. Só uma vez, a caixa perguntou se eu ia fugir, me olhou uns 10 segundos e resolveu que eu era confiável o suficiente para pagar depois. Em todas as outras vezes, elas me abriram a bomba sem problema. Acho que ajuda o fato de eu sempre ter uma criança no carro. A probabilidade deles se negarem a abrir é maior quando quem está com o carro é um homem ou jovens.

5. Se você for encher o tanque, lembre-se de puxar uma alavanquinha que segura o gatilho da mangueira e ele vai fazer click quando o tanque estiver cheio. Você guarda a mangueira e vai ao posto pagar. Você não precisa memorizar o preço que deu no marcador. Ao entrar é só falar o número da bomba e ela saberá o quanto cobrar.

6. Como cada carro tem sua maneira de abrir o tanque, sempre é bom dar uma perguntada na locadora de automóveis ou ler o manual antes de ir abastecer. Vai te poupar um bom mico. Desculpem se o post parece muito beabá, mas eu sempre lembro a história que o Ducs Amsterdam contou de como ele aprendeu a abastecer um carro na marra.

Visita real - 2º dia - Juana morto





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7 de novembro de 2011

Convite real

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30 de outubro de 2011

25 de outubro de 2011

27 de setembro de 2011

Saúde


Em Aruba a saúde pública é não universal e não gratuita. Como assim? Ela não é universal porque não atende a todos, somente os residentes legais aqui. Se alguém estiver vivendo ilegalmente ou se um turista estiver de férias e precisar de atendimento médico, eles vão ter que pagar pelo atendimento. Não é gratuita porque é descontado um valor do salário de todos os trabalhadores. O percentual é aproximadamente 11% do valor bruto que a pessoa recebe. Ou seja, além de pagar os impostos normais e previdência social, desconta-se um valor à parte que se destina à saúde. As pessoas que não trabalham não precisam pagar nada.

O sistema de saúde funciona através de um seguro saúde que se chama azw, que é uma abreviação para seguro médico geral. Todos os cidadãos tem que ter a sua carteirinha de azw e quando você se inscreve no sistema, você tem assignados um médico de família, um dentista e uma farmácia. Você pode escolher todos os três e no caso dos dois primeiros, existem cotas e pode ser que algum deles não aceite mais pacientes.

O médico de família é a sua porta de entrada para qualquer problema de saúde que você tiver. Eles atendem também as crianças (ao contrário da Espanha, onde a criança tem um pediatra assignado). A princípio, eles atendem qualquer problema de saúde e só encaminham para um especialista quando eles julgam necessário. Eles fazem o exame preventivo de câncer nas mulheres.

Aqui, como na Espanha e na Holanda, a rapidez com que eles encaminham para um especialista depende dele mesmo. Eu não tenho queixas da nossa médica de família em relação a isso: todas as vezes que precisamos, ela encaminhou para um especialista imediatamente. Foi ela quem me encaminhou para uma fisioterapeuta para cuidar da dor nas costas que eu tenho desde que nasceu minha filha. A minha médica de família da Espanha disse que eu teria que fazer tudo particular porque o sistema público de lá prioriza reabilitação de acidentados, enquanto aqui eu tive 3 meses de tratamento cobertos pelo sistema.

Todos os remédios receitados por um médico são totalmente gratuitos: é só levar à farmácia assignada, entregar a receita e pegar os remédios. Se o remédio não estiver coberto pela azw, o médico pode propor um parecido ou perguntar para o paciente se ele prefere pagar pelo remédio. São raros os remédios que não são cobertos. Na farmácia, estão à vista das pessoas aqueles remédios que não necessitam receita. A variedade destes é pequena, sendo basicamente paracetamol, alguns xaropes, sabonetes e xampus. Se não estiver à vista, o remédio só é vendido com receita médica, nem adianta discutir. Por isso, se você toma medicação regularmente, é melhor trazer já na bagagem, porque aqui não funciona o jeitinho brasileiro para remédios.

Eu não conheço nenhum médico que não esteja dentro do sistema de saúde. Que eu saiba todos os especialistas atendem consulta particular também, mas acho que eles não sobreviveriam se tivessem  que viver disso. Os motivos que levam uma pessoa a pedir uma consulta particular são basicamente: imigrantes ilegais que não tem saúde pública e o motivo da consulta ser estético. Por exemplo, eu paguei para ir ao dermatologista para cuidar de umas manchas no meu rosto, porque a minha médica de família não pode me encaminhar para um especialista para isso. O preço de uma consulta particular aqui varia entre 35 a 40 reais. Imagino que o espanto de um brasileiro lendo isso deve ser o mesmo que eu tive quando soube que minha mãe paga 500 reais para consultar uma especialista em São Paulo.

Em Aruba só existe um hospital e não existem todas as especialidades médicas (lembrando que a ilha tem pouco mais de cem mil habitantes). No caso de não existirem especialistas, o sistema de saúde oferece (e paga) para que alguns especialistas venham periodicamente à ilha. Por exemplo, minha afilhada tem um sopro no coração e ela é atendida por um cardiopediatra de Curaçao que vem a cada seis semanas para cá. Aqui não se fazem transplantes e os pacientes que necessitam são enviados para a Holanda, utilizando um acordo que o hospital tem com as companhias aéreas. Meu cunhado, que é diretor do departamento de nefrologia do hospital, vive com um bip o tempo todo. Quando aparece um rim disponível na Holanda, ele busca lugar no primeiro avião disponível e arruma para que o paciente viaje. A passagem e a estadia do paciente e de seu acompanhante na Holanda são totalmente pagos pelo sistema de saúde. No caso de pacientes de cardiologia e neonatologia, o acordo é com um hospital da Colômbia. Os pacientes são enviados para lá para operações como ponte de safena e sempre com direito a acompanhante. O hospital não tem um setor de prematuros, então se uma mulher entra em trabalho de parto antes das 37 semanas, é levada com ambulância aérea para que o bebê nasça na Colômbia e fique lá enquanto o bebê cresce e fica mais forte.

Em relação ao dentista, o maior benefício é para menores de idade. Eles têm direito a uma limpeza anual dos 4 até os 18 anos. As restaurações deles também são cobertas (os pais pagam uma taxa de uns doze reais por restauração) Se a criança for levada regularmente (a limpeza tem que ser feita em menos de um ano) e a criança precisar de aparelho, o governo paga a metade. A partir dos 6 anos, é feita uma aplicação de flúor anual. Qualquer tipo de cirurgia é coberto. Para os adultos, praticamente só é coberta a extração, cirurgias e próteses (nesse caso, o governo paga a metade). Em geral, o custo de dentista aqui também é menor que no Brasil. Ano passado, eu fui a uma consulta e paguei uns 80 reais pela consulta e a limpeza.

Em resumo, eu acho o sistema de saúde muito bom. Claro que tem as deficiências que um sistema de saúde público sempre vai ter: as consultas com especialistas e cirurgias demoram, por exemplo e no hospital, se você quiser um quarto individual, tem que pagar extra. Mas, de uma maneira geral, o gasto com saúde nunca vai ser um problema na vida de alguém que mora aqui. Praticamente todos os problemas de saúde estão incluídos no seguro do governo e se não houver tratamento aqui, eles pagam para que você e um acompanhante viajem para outro país para obter esse tratamento.

14 de setembro de 2011

Vôo livre



O Ministro de Turismo de Aruba anunciou hoje que, depois de um ano de negociação, o departamento de turismo de Aruba e o aeroporto Reina Beatrix chegaram a um acordo com a Gol e com a Avianca para disponibilizarem vôos diretos de Guarulhos para Aruba.

A Gol, responsável por 60% dos turistas brasileiros que vem a Aruba, anunciou que o vôo direto será aos sábados. Ela vai manter o vôo das quintas-feiras, via Caracas. Espero que eles criem vergonha e abram uma loja aqui para poder vender passagens para os locais ou até mesmo atender os brasileiros que queiram remarcar uma passagem, por exemplo.

A Avianca anunciou que os vôos diretos começarão em junho de 2012 com um Airbus 319 configurado para 132 passageiros enquanto a Gol vai operar com um Boeing 737-800 com capacidade para 170 passageiros.

Ao parecer, tanto os comerciantes locais quanto as agências de turismo brasileiras estão bastante entusiasmados com o acordo. Em 2009, Aruba recebeu 10.594 brasileiros e em 2010 esse número dobrou, com a chegada de 20.237 passageiros. Os primeiros sete meses de 2011 mostraram um aumento de 19,7% em relação ao ano anterior.

Esse ministro já fez tanto pelo turismo de Aruba que eu fico imaginando que se tivéssemos alguém com metade da disposição no Brasil, muita coisa melhoraria no turismo brasileiro.

6 de setembro de 2011

Miss Simpatia



Muita gente que mora no Brasil pode não saber, mas dia 12 de setembro próximo, vai se realizar o concurso de Miss Universo, em São Paulo. A audiência aqui em Aruba vai estar próxima a 100%, como em todos os anos. Acho que muito se deve à proximidade com a Venezuela e o fato de que, por muitos anos, os canais venezuelanos eram uns dos poucos disponíveis na ilha, mas aqui, concurso de miss é coisa séria. O próprio ministro de turimo irá ao Brasil para apoiar a Miss Aruba e segundo se comenta, tentar trazer o concurso de 2013 para a ilha. Esse é o ápice de um conjunto de acontecimentos que começa exatamente um ano antes.


O concurso de miss Aruba não é um evento, mas uma temporada. A próxima temporada vai durar três meses e começará no dia 14 de setembro. Durante a temporada, as candidatas, cuja idade varia entre 17 e 23 anos, vão participar de workshops de passarela, etiqueta, moda, falar em público, maquiagem, estética e também de cuidados com o meio ambiente e responsabilidade social. Esses meses são importantes para que as candidatas se façam conhecidas e consigam patrocínio de negociantes locais para a final.

A final do concurso desperta grandes paixões e as candidatas normalmente tem patrocinadores, torcida organizada e uniformizada. Nas semanas anteriores ao concurso, é comum ver carros e estabelecimentos comerciais com adesivos e pôsteres das candidatas. O afã de vencer é tão grande, que a mãe de uma conhecida nossa vendeu a própria casa para bancar a candidatura da filha. A sua filha ganhou, então imagino que para a mãe, deve ter valido a pena.

A feliz ganhadora passa a ser uma celebridade local, e normalmente faz propagandas, participa de eventos dos patrocinadores, dá entrevistas, etc. À medida que se aproxima a data do concurso de Miss Universo, a ansiedade por notícias aumenta e desde que as candidatas chegaram ao Brasil, grande parte das notícias dos jornais locais são focadas nos passeios das candidatas. Foram noticiados absolutamente todos os passos das misses no Brasil: visita à Oscar Freire, ao Guarujá, ao Jockey Club, ao Museu do Futebol, a instituições de caridade, aulas de samba, etc.

E também qualquer crítica positiva à Miss Aruba foi divulgada com grande entusiasmo. O vestido de noite dela (que eu pensava que era uma surpresa do dia do concurso) foi bem avaliado pelo designer Nick Verreos (ex-project runway) do E Entertainment, que disse que era "safe and perfect".  E o site mais conhecido especializado em misses, missosology.org, que elegeu as melhores vestidas (fashionists), deu o segundo lugar para a candidata local, depois da Miss França e antes da Miss Portugal.

Apesar de todo esse esforço, até hoje, nenhuma Miss Aruba ganhou o concurso, sendo que o melhor resultado foi um 2º lugar em 1996 e o título de Miss Simpatia em 2000. O curioso é que toda a empolgação vai se repetir em fevereiro, quando houver a eleição de Rainha do Carnaval, mas essa história fica para outra vez...

25 de agosto de 2011

Tornado

Eu comentei há um tempo atrás que Aruba não faz parte da rota dos furacões, mas às vezes sente os efeitos de alguns deles. Hoje foi um dia em que tivemos a influência do furacão Irene, que está lá em cima, mas deixou um rastro por aqui.

Na verdade, desde a tarde de ontem coisas estranhas aconteceram. Como eu comentei em outro post, estamos na época mais quente, seca e sem vento do ano. Ontem, no entanto, nuvens negras se formaram e tivemos uma tempestade de raios e trovões. Curiosamente, não choveu mais que umas gotinhas, mas relampejou muito. Isso durou apenas uma hora e logo depois o céu se abriu.

Hoje, o dia amanheceu escuro, de novo cheio de nuvens negras e foi difícil convencer minha filha que era hora de acordar, porque ela insistia que ainda era noite. Lá pelas 6:30h começou a relampejar e trovoar muito de novo. Choveu por uns 20 min e depois o céu se abriu claro e limpo. Bom, isso foi o que eu percebi no meu distrito. Eu sempre dirijo escutando rádio, mas hoje curiosamente muitas estavam fora do ar.

Quando finalmente eu pude escutar as notícias, soube que um tornado passou no distrito Noord de Aruba e atingiu umas 20 casas, uma igreja e quatro escolas. Uma das escolas - St. Anna - ficou bastante destruída, sem janelas nem telhado e as outras não foram totalmente atingidas, mas algumas salas ficaram com o telhado aberto. É um alívio saber que o tornado passou quando as aulas ainda não haviam começado, ainda mais que temos uma ligação familiar com essas escolas. A primeira é onde minhas sobrinhas mais velhas estudaram e a outra é onde meus sobrinhos mais novos estudam. St. Anna vai passar algumas semanas fechada e o governo ainda está pensando numa maneira de alocar os 210 alunos porque nem todos os pais tem um plano de contingência para quando seus filhos não podem ir para a escola no meio do semestre.


Alguns postes de luz e árvores foram derrubados e essa foi a razão da maioria das rádios terem saído do ar, porque ao parecer houve um apagão que atingiu a região norte e inclusive a região dos hotéis (a maioria dos quais eu imagino que tenha um gerador para emergência). Por sorte, ninguém se feriu com gravidade e os únicos casos reportados de hospitalização foram de duas pessoas que sofreram ataque cardíaco.

Outra consequência curiosa do tornado foi o desaparecimento de cachorros. Como muitas casas tem muros baixos ou nem sequer tem muro, alguns cachorros ficaram tão apavorados com a tormenta que fugiram. Agora, pessoas que perderam e outras que encontraram cachorros estão anunciando na rádio para encontrar o paradeiro dos bichos. Eu acho que sempre é válido colocar um telefone de contato na coleira dos cachorros, para casos de emergência.

Essa é a primeira vez que se tem notícia de um tornado em Aruba e por isso, muita gente está assustada. Eu fiquei pensando que se somente 20 min de tormenta causaram tanto estrago, como não deve ser a situação desses países que sofrem impactos de furacões mesmo...

12 de julho de 2011

Aviso aos navegantes

Estou de férias no Brasil, vivinha da silva. Espero poder postar nesse mês ainda, só não sei quando.

2 de julho de 2011

O olho do furacão



A temporada de furacões no Caribe começa no dia 1 de junho e finaliza no dia 30 de novembro de cada ano. Isso aqui em Aruba é motivo de comemoração.

A razão é que existem pouquíssimas ilhas de todo o Caribe que estão fora da rota de furacões. Essas sortudas ilhas são as mais ao sul, como as ilhas ABC, entre as quais, Aruba, Trinidad y Tobago e algumas outras ilhas da costa venezuelana, como Isla Margarita.

Ao parecer já houve algum furacão que atingiu a ilha, mas para ter lembrança dele só perguntando aos mais velhos.

Em geral, o clima da ilha nessa época do ano é bem seco, chegando a semi-árido, o calor já está à beira do suportável, então às vezes quando um furacão passa lá em cima, o "rabo" do furacão traz umas boas chuvas e um alívio para clima tórrido. Esse ano a temporada ainda não deu sinais de vida, mas ainda temos uns meses pela frente.

30 de junho de 2011

Telegrama

  • Estamos em temporada de formaturas (do maternal da filhota inclusive) e de casamentos, então sobra pouco tempo para blogar.
  • Um recado especial para a leitora que chegou ao blog com a seguinte consulta do Google: "como dizer vc vai ser papai em papiamento". É assim: abo ta bai bira tata. E boa sorte com com a sua gravidez!

24 de junho de 2011

Lembranças

Muita gente quebra a cabeça pensando o que levar de presentinhos de Aruba, considerando que pouca coisa é produzida aqui. A maioria acaba levando a tradicional camiseta ou boné escritos Aruba, então para fugir do óbvio, eu fiz uma listinha de coisas que podem agradar.

O mais fácil são as bebidas produzidas aqui em Aruba, que é onde mais variedade se encontra. Da última vez que a minha irmã veio, ela e minhas sobrinhas acharam legal levar a cerveja arubiana, chamada Balashi. Ela vem em garrafa ou latinha e o que elas acharam mais charmoso foram as latinhas pequenas, que além do mais não pesam tanto na bagagem. Quanto ao gosto não me perguntem, porque eu odeio cerveja e nem experimento.



Outra bebida produzida aqui é o ponche crema, o licor típico de Aruba. Ele é feito com rum e leite condensado, assim que imagino que é bem ao gosto brasileiro. Existem muitas sobremesas e coquetéis locais feitos com ele. Tem muitas marcas, só que alguns são produzidos em Curaçao, então se você fizer questão de ter um produto local, é preciso ver a embalagem. Existe uma marca local, chamada Palmera Rum que produz vários tipos de bebida, incluindo whiskey, gin, vodka e brandy.



Também são produzidos aqui toda a linha da Coca-cola, exceto a Fanta, não sei porquê. Aliás, não existe Fanta em nenhum restaurante, nem nos fast-food. Até o ano passado tinha também a fábrica da Pepsi, mas no meio do ano mudaram o nome para RC Cola. Eles continuam produzindo a Pepsi servida em restaurantes de fast-food, como o Taco Bell, mas nos supermercados o que você vai encontrar é a RC Cola, se forem garrafas pequenas. Se forem garrafas de dois litros, o nome vai ser Pepsi. Um dia, algum gênio do marketing vai ter que me explicar essa estratégia de produto porque eu nunca entendi.



Aqui também se produz (e se consome) muitos tipos de molho picante. O preferido da minha sogra para temperar carne é o molho picante de mamão papaia. Existem várias marcas, mas duas tem o melhor visual para levar de lembrança. Olhem só que embalagens charmosas:




Aruba também produz charutos. O nome da marca é Aruhiba, fazendo um trocadilho com os famosíssimos cohiba cubanos.

Talvez o produto mais tradicional arubiano seja a babosa, aqui conhecida como Aloe Vera. No século XIX dois terços da ilha eram cobertos com babosa e no início do século XX, Aruba era o maior produtor mundial. Existe uma marca de produtos de higiene pessoal que tem quase duzentos anos de existência e eles têm uma linha bem variada de produtos. Os mais tradicionais são os protetores solares: uma boa parte dos turistas deixa para comprar protetores aqui, devido à fama do produto. Mas eles tem uma linha que inclui xampus, condicionadores, desodorantes e vários outros produtos mais.





Outra opção de presente são os calendários com fotos de Aruba. Eles são bem feitos, com material de qualidade, cada mês tem uma foto de paisagem legal e uma receita de comida ou coquetel típico. Eles não pesam na bagagem e imagino que existam nas lojas de souvenirs. Como eu não frequento essas lojas, onde eu realmente sei que existem são nas papelarias e também na rua principal, numa loja chamada Ecco.

Se você já veio à Aruba e levou um souvenir legal que não está na lista, me avise que eu amplio as opções. ;)

17 de junho de 2011

Companhias aéreas que voam para Aruba


Existem três companhias aéreas que voam do Brasil para Aruba: Avianca, Copa AirlinesGol e Taca, que opera conjuntamente com a Avianca. Eu só usei duas até hoje: a Avianca e a finada Varig, cuja rota foi reestabelecida pela Gol.

Tenho uma boa experiência com a Avianca. Pontos positivos: eles são organizados, as poltronas têm tela individual com filmes até legaizinhos, a conexão em Bogotá é razoavelmente rápida (umas 2:30hr) e tem internet grátis no aeroporto. Para mim o grande ponto negativo é a comida. O lanche (que deveria valer por um jantar, já que é a única comida que você vai receber até quase uma da madrugada) do trecho AUA-BOG na última vez esteve abaixo do comestível: era um pão com presunto e queijo seco, sem manteiga ou maionese ou qualquer creme, o que o tornava impossível de engolir. Tanto eu quanto minha minha filha desistimos de comer. Ao descer em Bogotá fomos correndo procurar algo para matar a fome. A comida do trecho BOG-GRU não é muito melhor e por isso eu recomendo levar algum lanche na bagagem de mão, principalmente para quem viaja com crianças.

A Copa eu nunca usei e o principal motivo são os horários ridículos. Na ida ao Brasil, o vôo chega a Guarulhos uma hora da madrugada. O que torna impossível tomar outro avião, para aqueles que não vão ficar em São Paulo, como eu. E o trecho de vinda do Brasil tem uma parada no Panamá que te obriga a pernoitar, porque o vôo que vem à Aruba só sai no dia seguinte.

Eu vou experimentar voar com a Gol em julho e de momento, já tenho uma péssima experiência. Isso porque essa companhia aérea que faz vôos internacionais não aceita cartões de crédito emitidos no exterior! Tentei de tudo para comprar a passagem, fiquei dias entrando no site, que supostamente aceita Visa, Mastercard, Amex e UATP (?!). Então liguei para o tal número de vendas que eles poem no site. Só que esse número é uma farsa, é só para inglês ver, literalmente. Devo ter ligado mais de 100 vezes. Funciona assim: eles pedem para você escolher ser atendido em inglês ou espanhol. Você escolhe uma opção, daí tem outra opção para escolher e daí você espera alguns minutos até a ligação cair. Com um detalhe: a voz que supostamente te fala em espanhol deve ter aprendido o idioma com aquele cara da "la garantía soy yo". O espanhol não só é ruim, é totalmente incompreensível por alguém que não fala português. Para exemplificar: ao dar as opções, eles dizem: DISQUE UN. Vamos pela parte menos ruim: não deveria ser un, mas uno. Porque em espanhol, un só vem antes de um substantivo ou adjetivo, como un gato ou un buen día. Mas o número sempre vai ser número uno e nunca número un. Agora vamos à pior parte: disque?! Fala sério, nem um português seria capaz de entender esse verbo, expressão, gíria ou coisa que o valha, porque isso só existe no Brasil! O certo em espanhol seria dizer: marque uno ou pulse uno. Acho que a Gol poderia ter sido menos mão de vaca e pagado alguém que sabe espanhol para fazer o roteiro da gravação. Isso é só outro sinal da total falta de cuidado com os clientes estrangeiros.

Finalmente, pedi para a minha irmã ligar para o SAC deles e ao final eles disseram que o único cartão de crédito internacional que eles aceitam é American Express. Cuma? Fala sério, eu acho que não conheço nenhuma pessoa que tenha Amex. Ou seja, a Gol está voando para o exterior só para levar brasileiros para fora, sem nenhum interesse em levar estrangeiros para conhecer o Brasil. Ao final minha irmã teve que comprar a passagem para mim. Um turista comum poderia fazer isso? Claro que não! E um turista estrangeiro que quiser comprar passagens para viajar dentro do Brasil, como faz? Não faz né? Escolhe um lugar mais fácil de se viajar.

E é por isso que Aruba, essa ilha de 33 km de extensão por 9 km de largura, recebe mais turistas por ano que o Brasil, que é o quinto maior país do mundo. Pela total falta de interesse não só de todos os governo que já estiveram no poder, mas em grande parte das empresas brasileiras, como a Gol.

Não é de se estranhar que um ano atrás, o Estadão tenha publicado uma reportagem dizendo que como os brasileiros estão viajando para fora mais do que nunca e os estrangeiros estão viajando cada vez menos para o Brasil, o déficit da balança comercial era de um bilhão de dólares!

Atualização: depois de escrever este post, eu fui para o Brasil com a Gol, então deixe-me contar. Eu fui e voltei de classe comfort e acho que vale a pena pagar mais. Você ganha 10cm de espaço entre a poltrona da frente e as suas pernas e a poltrona do meio fica vazia. No meu caso, eu comprei uma poltrona para mim e uma para a filhota, então com a poltrona do meio vazia, ela pode deitar e viajar como se tivesse dormindo numa cama, ficou bem confortável. Além disso, você ganha um dvd portátil com alguns filmes e programas. No trecho AUA-GRU, como era de noite, nem usamos. Mas no trecho GRU-AUA, com o vôo de dia, foi legal, embora a seleção disponível seja pequena, comparado com a Avianca. Agora, se você for viajar na classe turista mesmo, boa sorte. Os seus joelhos ficam grudados na poltrona da frente, não tem nenhum tipo de entretenimento gratuito. Então, se a opção for entre viajar com a Avianca de classe econômica ou viajar com a Gol de classe econômica, escolha a Avianca sem dúvida. A classe econômica da Avianca tem um bom espaço para as pernas e as poltronas são mais cômodas. Além disso, a Avianca tem um bom sistema de entretenimento gratuito para todos, o que faz muita diferença num trecho tão longo. Se a dúvida for entre Gol comfort e Avianca econômica, eu prefiro a Gol pelo detalhe da poltrona do meio, que ajuda um montão ao se viajar com crianças. ☺

7 de junho de 2011

A Casa

Uma característica de Aruba é que aqui se vive em casas. Existem pouquíssimos apartamentos, sendo que a maioria deles são habitação social, tipo BNH, Cohab, Singapura ou coisa que o valha. Mas a população, em geral, mora em casas.

Os terrenos costumam ser grandes e as casas normalmente são só de um piso, é difícil encontrar sobrados. Isso pouco a pouco está tornando inviável morar em casas porque já quase não há terrenos disponíveis na ilha.

Outra característica das casas é que não existe campainha. Sério, eu nunca vi em nenhuma casa. O que se faz normalmente é buzinar. Se não funcionar,  você espera que o cachorro da casa ou algum cachorro dos vizinhos comece a latir para alertar os donos da casa. Se nem isso funciona, apela-se para o celular. Ah, sim, não se bate palmas! Depois de quase dez anos morando fora do Brasil, eu finalmente descobri que só lá existe esse costume, aparentemente bizarro aos olhos de um estrangeiro, de bater palmas para chamar o dono da casa. Eu me lembro que meu marido quase surtou uma vez que estávamos no portão de uma conhecida que não vinha nunca e eu comecei a bater palmas. Ele falou: você está louca? Pra quem você está aplaudindo?! :p

Apesar de ter nascido e crescido em casas e estar acostumada a cidades onde a maioria das pessoas vive em casas, quando eu vim pela primeira vez eu vi que alguma coisa era muito diferente do Brasil porque eu não podia imaginar aquelas casas em nenhuma cidade brasileira. Depois é que eu notei a grande diferença: é que aqui dificilmente existe grama nos jardins. Em seu lugar, as pessoas costumam plantar árvores, muitas vezes até criar uma verdadeira selva na frente das casas. Uma vista comum de uma rua pode ser assim:

E são muitas as casas que ficam completamente escondidas pelas árvores:

Algumas casas tem jardins com visual mais clean, mas seria muito estranho encontrar uma casa brasileira com coqueiros desse tamanho na frente, né?

Uma vez eu perguntei para o meu marido porque as pessoas não poem grama nos seus jardins. E ele me disse que é muito caro porque todos os meses tem que pagar alguém para cortar. Grama é coisa de gente rica. Dois tios dele que são considerados os ricos da família tem grama no jardim. Daí eu pensei: mas como pode ser tão caro assim se meus pais tem em casa e um monte de gente no Brasil também? Perguntei para a minha mãe a cada quanto tempo alguém tem que vir para cortar. Ela disse que nos meses de chuva pode ser uma vez ao mês, mas nos meses de seca pode demorar de três a quatro meses. Daí eu cheguei à conclusão de que a falta de costume de plantar grama é mais por falta de conhecimento aliada à preguiça que por falta de dinheiro.

E como é o quintal? Bem, atrás é onde fica normalmente as varandas, de preferência bem grandes para receber toda a família nas muitas festas de arromba, além de um espaço para as crianças correrem.

A segurança, de modo geral, é bem melhor que no Brasil. Eu ainda não vi aqueles muros de três metros com cerca eletrificada, no estilo prisão de alta segurança. O muro da minha casa mesmo é baixo, acho que tem um metro e meio e tem casas que nem muro tem. Existem bairros que são mais inseguros e propensos a furtos. Mas é bom deixar bem claro: normalmente são furtos, sem a presença dos moradores e sem armas de fogo. Uma amiga brasileira que mora num desses bairros já foi roubada uma vez. Ela chegou em casa do supermercado à noite e estava cansada, deixou para guardar a comida no dia seguinte. Quando ela acordou, a cozinha estava sem janela e o ladrão levou toda a compra do dia anterior. E também alguma comida que estava na geladeira. A tv, o vídeo, aparelho de som e outros elétrodomésticos continuaram lá. Pelo jeito nem passou pela cabeça dele fazer a família que estava dormindo de refém para pedir dinheiro, jóias ou coisas de mais valor. Um ladrão um pouco mais profissional roubou a máquina de lavar, que estava do lado de fora, da casa de um parente. Mas aqueles roubos com a família trancada no banheiro, ameaçada de morte, que nem dão mais notícia de jornal no Brasil, isso eu nunca ouvi falar. E bate na madeira três vezes...

30 de maio de 2011

Língua

Todos os arubianos são poliglotas e falam, pelo menos, 4 idiomas: papiamento, holandês, inglês e espanhol. Quando eu digo todos, eu quero dizer todos mesmo, incluindo a avó de 86 anos do meu marido, e os meus sobrinhos desde a mais tenra idade. Se você vai a uma repartição pública, ao hospital, ou mesmo a uma loja de celulares, antes mesmo de pegar a sua senha, o computador pergunta em qual dos quatro idiomas você quer ser atendido.

O idioma local é o papiamento, uma língua que se parece ao espanhol e com palavras do holandês. Eu ainda vou fazer um post específico sobre papiamento, mas agora o importante é entender como toda uma população chega a saber quatro línguas fluentemente.

Papiamento é a língua se fala em casa, nas festas, no dia a dia, nos jornais e nos dois canais de tv locais. É nessa língua que os bebês aprendem a falar suas primeiras palavras e é a língua usada nas creches e escolinhas, a não ser que os pais ponham o filho numa escola específica que fale outro idioma. Existem algumas creches e escolinhas em holandês e que eu saiba existe uma em inglês.

Mas Aruba faz parte do reino holandês e tem essa língua como idioma oficial. Isso significa que todo o ensino é em holandês e da primeira série até a universidade, todas as matérias são dadas em holandês. Até algum tempo atrás, o papiamento era proibido. Depois deixou de ser proibido, mas não ensinado nas escolas. Faz menos de dez anos que o papiamento é ensinado desde a primeira série até o final do ensino secundário, como língua estrangeira.

Então uma criança típica vai aprender papiamento em casa, com sua família e se for à creche, essa vai ser a língua falada lá também. A escolinha para as crianças de 2 e 3 anos chama-se peuterschool e numa escola comum, o máximo de contato com o holandês vai ser através de algumas musiquinhas. A escola das crianças de 4 e 5 anos, é a pré-escola, chamada kleuterschool e é então que se começa a ensinar holandês para as crianças arubianas. Com jogos e brincadeiras, elas vão aprendendo o idioma, preparando-se para a grande mudança. Com seis anos, eles iniciam a primeira série e a partir daí, tudo vai ser em holandês, a não ser durante aulas de língua estrangeira.

E como entram o inglês e o espanhol nessa história? Aruba vive de turismo e até pouco tempo atrás os percentuais eram uns 80% de americanos e o resto de latino-americanos e holandeses. Atualmente, esse percentual está mudando bastante, devido à vinda em massa de turistas brasileiros e eu não sei como é a divisão atual. Como a maioria das pessoas trabalha no setor turístico, falar inglês é essencial. Some-se isso ao fato de que o ensino de idiomas na escola é excelente, tanto que existem poucas escolas de idiomas aqui. Eu mesma nunca conheci um arubiano que tenha estudado numa escola de idiomas ou com aulas particulares.

Um outro fator são os meios de comunicação. Como a ilha só tem três canais de tv, o resto todo vem de fora. Aruba recebe praticamente todos os canais da tv aberta americana e a maioria dos canais por cabo. E esses canais são recebidos diretamente, o que nos permite assistir os noticiários e programas sem nenhum atraso. O que significa que aqui se assiste ABC, CBS etc e não canais como Sony e Warner que compram programas desses canais. Isso é possível porque não existe legenda nem dublagem. Com acesso à tv em inglês desde que nascem, as crianças já se acostumam com o idioma bem cedo e a maioria tem contato com inglês mais cedo e em mais profundidade que o próprio holandês. Os cinemas também passam filmes sem legenda, inclusive nos filmes infantis.

Em relação ao espanhol, o número de imigrantes de outros países, principalmente da Venezuela e Colômbia, é grande. Então é bem comum ouvir espanhol no dia a dia. A geração do meu marido é uma geração que cresceu com mais contato com espanhol do que a atual. Por que os canais americanos chegaram faz uns 15 anos e antes disso, todos os canais eram da Venezuela e do México. Então existe uma diferença de gerações em relação ao domínio de idioma. Os adolescentes e crianças falam mais inglês e menos espanhol que os adultos.

Outra característica arubiana é a multi-culturalidade: numa ilha tão pequena convivem pessoas de quase cem nacionalidades, por isso não é difícil encontrar pessoas que falem além das quatro línguas locais mais umas quantas. E esse vai ser o futuro da nossa filhota do alto dos seus 3 anos já fala português, papiamento e espanhol como se fossem suas línguas maternas e pouco a pouco está assimilando inglês e holandês.

24 de maio de 2011

Festa de arromba

Quando se vive numa ilha de 110.000 habitantes,  as opções de lazer são limitadas. Não tão limitadas quanto morar numa cidade deste tamanho, porque Aruba é um destino turístico, então tem muitas coisas: parques aquáticos, praias, cinemas, restaurantes, passeios de jipe, barco, quadriciclo, submarino, etc. Mesmo assim, os passeios normalmente são bem caros e não dá pra ficar pagando mais de 50$ por pessoa cada fim de semana.

Some-se a isso o fato de que muita gente se conhece. Sabe aquele lance de cidade pequena em que todo mundo se conhece? Daí imagina que a cidade pequena é uma ilha. Comparando com a minha família no Brasil: eu tenho parentes espalhados por muitíssimas cidades e estados do Brasil. Sempre tem alguém que foi estudar em algum lugar, ou conseguiu emprego longe ou casou. Minha mãe tinha treze irmãos, meu pai tem sete e nenhum tio ou tia morava na nossa cidade. Já aqui em Aruba, a família costuma sempre estar perto, o que significa que a família é grande. Meu marido tem catorze tios e tias que moram aqui e todos têm uma prole signficativa. E a maioria das famílias tipicamente arubianas é assim.

Então, a solução para as poucas opções de lazer acessíveis e manter o contato com tanta gente é fazer festa. Aqui se comemora tudo: aniversários, aniversários de casamento, batismos, comunhões, etc. Quando eu digo que se comemora, eu não estou falando de uma festinha em casa. Porque mesmo que a festa seja em casa, não tem como existir uma festa íntima. Em primeiro lugar porque comemorar aniversários é uma algo esperado. Não tem aquela de perguntar: você vai fazer alguma coisa? Se alguém faz aniversário, todo mundo que conhece a pessoa e lembra da data pode passar para dar os parabéns. Então se você fizer aniversário, trata de comprar bebidas e providenciar uns petiscos porque o convite é desnecessário, a galera vai aparecer com certeza. No aniversário do meu marido tivemos mais de setenta pessoas em casa e isso que muita gente não veio. E não existe festa surpresa? Poucas, normalmente para ser surpresa tem que ser um dia antes.

Batismos e comunhões sempre são comemorados com uma festa gigantesca, do tipo que é preciso alugar um salão, decorá-lo e imprimir convites. Não sei se existe esse costume em algum lugar do Brasil, mas eu noto que aqui e na Espanha esses dois eventos são considerados merecedores de pompa e circunstância.

Quanto às festas de criança, é quase igual ao Brasil, com temas e brincadeiras. Acho que a única diferença é que aqui sempre tem a piñata e não sei se em algum lugar do Brasil existe esse costume.

Também merecedores de uma festa grande são os aniversários de adultos que chegam a uma idade redonda, tipo 20, 30, 40, etc. e os aniversários de casamento a cada cinco anos. Para esses dois casos, a festa também costuma ser comemorada num salão ou restaurante e são enviados convites. Que eu me lembre no Brasil somente as bodas de prata ou de ouro são comemoradas com festa, quando são, porque a maioria dos casais que eu conheço não dá muita bola para isso.


Isso significa que a nossa vida social é agitadíssima. Às vezes temos que esperar vários fins de semana para poder ir ao cinema porque praticamente todos os sábados e domingos ou nós temos uma festa ou nossos sogros (e babás oficiais) têm.

E deixa eu ir terminando o post porque preciso sair para comprar um presente de comunhão... ;)

11 de maio de 2011

Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou com uma carta na mão

Tem algumas coisas que funcionam no Brasil e que muita gente não dá valor. Uma delas é são os correios. A minha experiência com o correio brasileiro sempre foi excelente. Já em relação aos outros países que morei, dá pra fazer um ranking.

O correio holandês é impecável. Tudo o que você manda ou recebe vem a tempo, ninguém abre nada nunca. Minha mãe mandava sedex do Brasil e demorava quatro dias. Isso porque o pacote saía de Campo Grande. Imagino que se saísse de São Paulo, um dia seria economizado.

Então, voltamos a morar na Espanha. O mesmo sedex passou a demorar duas semanas para chegar. O sistema de correios do Brasil permite que você saiba exatamente onde está o seu pacote através de um sistema de rastreamento: a caixa tem um código de barras que é lido em cada lugar que ele chega. E nós comprovávamos que dois dias depois de enviado lá em CGR, o pacote chegava na Espanha. O que ele ficava fazendo lá nos doze dias seguintes até ser entregue para mim, eu nunca fui capaz de entender. Fora os extravios. Cartas simples enviadas da Holanda demoravam dez dias para chegar, quando chegavam. Uma vez enviamos um pacote com presentinhos para um bebê de uma amiga que nasceu na Holanda e o pacote sumiu. Como não tínhamos feito seguro (nunca imaginamos que precisássemos fazer um seguro para um sedex), só ouvimos umas desculpas e nada foi feito. Também sumiram ou foram devolvidos alguns pacotes enviados para nós, sem nenhuma explicação plausível. Quando a filhota nasceu, mandamos cartões de nascimento (nem sei se existe esse nome em português, mas é uma tradição holandesa - geboortekarten). Já quem recebeu e quem não recebeu e quando recebeu foi uma loteria. Nossos amigos holandeses receberam os cartões um dia depois de postado. Começamos a receber os telefonemas de parabéns no dia seguinte, incrédulos. Os cartões enviados para a Espanha chegaram uma semana depois.

E os de Aruba demoraram meses. Sim, meses, porque os correios daqui batem todos os recordes de ineficiência que existem. Hoje eu recebi uma carta enviada no Brasil no dia 10 de março, parece piada. E as cartas enviadas para qualquer parte do mundo também demoram, em média, dois meses para chegar. Todos os pacotes enviados por sedex pela minha mãe chegam abertos. Até agora nunca sumiram com nada do que tinha dentro, mas eles sempre abrem para dar uma conferida.

Mas, curiosamente, as contas de água, luz, telefone e a publicidade comercial sempre chegam a tempo. Um dia eu ainda vou entender como funciona essa ineficiência seletiva...

10 de maio de 2011

As Quatro Estações

Aviso: esse blog mudou de endereço. Para ler o post, clique no link abaixo:


Qualquer dúvida ou comentário só será respondido no blog novo.

6 de maio de 2011

Tá quente, tá frio

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4 de maio de 2011

Água de beber, água de benzer, água de banhar

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3 de maio de 2011

Nesse Mar, Nessa Ilha


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O Que Será

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