30 de maio de 2011

Língua

Todos os arubianos são poliglotas e falam, pelo menos, 4 idiomas: papiamento, holandês, inglês e espanhol. Quando eu digo todos, eu quero dizer todos mesmo, incluindo a avó de 86 anos do meu marido, e os meus sobrinhos desde a mais tenra idade. Se você vai a uma repartição pública, ao hospital, ou mesmo a uma loja de celulares, antes mesmo de pegar a sua senha, o computador pergunta em qual dos quatro idiomas você quer ser atendido.

O idioma local é o papiamento, uma língua que se parece ao espanhol e com palavras do holandês. Eu ainda vou fazer um post específico sobre papiamento, mas agora o importante é entender como toda uma população chega a saber quatro línguas fluentemente.

Papiamento é a língua se fala em casa, nas festas, no dia a dia, nos jornais e nos dois canais de tv locais. É nessa língua que os bebês aprendem a falar suas primeiras palavras e é a língua usada nas creches e escolinhas, a não ser que os pais ponham o filho numa escola específica que fale outro idioma. Existem algumas creches e escolinhas em holandês e que eu saiba existe uma em inglês.

Mas Aruba faz parte do reino holandês e tem essa língua como idioma oficial. Isso significa que todo o ensino é em holandês e da primeira série até a universidade, todas as matérias são dadas em holandês. Até algum tempo atrás, o papiamento era proibido. Depois deixou de ser proibido, mas não ensinado nas escolas. Faz menos de dez anos que o papiamento é ensinado desde a primeira série até o final do ensino secundário, como língua estrangeira.

Então uma criança típica vai aprender papiamento em casa, com sua família e se for à creche, essa vai ser a língua falada lá também. A escolinha para as crianças de 2 e 3 anos chama-se peuterschool e numa escola comum, o máximo de contato com o holandês vai ser através de algumas musiquinhas. A escola das crianças de 4 e 5 anos, é a pré-escola, chamada kleuterschool e é então que se começa a ensinar holandês para as crianças arubianas. Com jogos e brincadeiras, elas vão aprendendo o idioma, preparando-se para a grande mudança. Com seis anos, eles iniciam a primeira série e a partir daí, tudo vai ser em holandês, a não ser durante aulas de língua estrangeira.

E como entram o inglês e o espanhol nessa história? Aruba vive de turismo e até pouco tempo atrás os percentuais eram uns 80% de americanos e o resto de latino-americanos e holandeses. Atualmente, esse percentual está mudando bastante, devido à vinda em massa de turistas brasileiros e eu não sei como é a divisão atual. Como a maioria das pessoas trabalha no setor turístico, falar inglês é essencial. Some-se isso ao fato de que o ensino de idiomas na escola é excelente, tanto que existem poucas escolas de idiomas aqui. Eu mesma nunca conheci um arubiano que tenha estudado numa escola de idiomas ou com aulas particulares.

Um outro fator são os meios de comunicação. Como a ilha só tem três canais de tv, o resto todo vem de fora. Aruba recebe praticamente todos os canais da tv aberta americana e a maioria dos canais por cabo. E esses canais são recebidos diretamente, o que nos permite assistir os noticiários e programas sem nenhum atraso. O que significa que aqui se assiste ABC, CBS etc e não canais como Sony e Warner que compram programas desses canais. Isso é possível porque não existe legenda nem dublagem. Com acesso à tv em inglês desde que nascem, as crianças já se acostumam com o idioma bem cedo e a maioria tem contato com inglês mais cedo e em mais profundidade que o próprio holandês. Os cinemas também passam filmes sem legenda, inclusive nos filmes infantis.

Em relação ao espanhol, o número de imigrantes de outros países, principalmente da Venezuela e Colômbia, é grande. Então é bem comum ouvir espanhol no dia a dia. A geração do meu marido é uma geração que cresceu com mais contato com espanhol do que a atual. Por que os canais americanos chegaram faz uns 15 anos e antes disso, todos os canais eram da Venezuela e do México. Então existe uma diferença de gerações em relação ao domínio de idioma. Os adolescentes e crianças falam mais inglês e menos espanhol que os adultos.

Outra característica arubiana é a multi-culturalidade: numa ilha tão pequena convivem pessoas de quase cem nacionalidades, por isso não é difícil encontrar pessoas que falem além das quatro línguas locais mais umas quantas. E esse vai ser o futuro da nossa filhota do alto dos seus 3 anos já fala português, papiamento e espanhol como se fossem suas línguas maternas e pouco a pouco está assimilando inglês e holandês.

24 de maio de 2011

Festa de arromba

Quando se vive numa ilha de 110.000 habitantes,  as opções de lazer são limitadas. Não tão limitadas quanto morar numa cidade deste tamanho, porque Aruba é um destino turístico, então tem muitas coisas: parques aquáticos, praias, cinemas, restaurantes, passeios de jipe, barco, quadriciclo, submarino, etc. Mesmo assim, os passeios normalmente são bem caros e não dá pra ficar pagando mais de 50$ por pessoa cada fim de semana.

Some-se a isso o fato de que muita gente se conhece. Sabe aquele lance de cidade pequena em que todo mundo se conhece? Daí imagina que a cidade pequena é uma ilha. Comparando com a minha família no Brasil: eu tenho parentes espalhados por muitíssimas cidades e estados do Brasil. Sempre tem alguém que foi estudar em algum lugar, ou conseguiu emprego longe ou casou. Minha mãe tinha treze irmãos, meu pai tem sete e nenhum tio ou tia morava na nossa cidade. Já aqui em Aruba, a família costuma sempre estar perto, o que significa que a família é grande. Meu marido tem catorze tios e tias que moram aqui e todos têm uma prole signficativa. E a maioria das famílias tipicamente arubianas é assim.

Então, a solução para as poucas opções de lazer acessíveis e manter o contato com tanta gente é fazer festa. Aqui se comemora tudo: aniversários, aniversários de casamento, batismos, comunhões, etc. Quando eu digo que se comemora, eu não estou falando de uma festinha em casa. Porque mesmo que a festa seja em casa, não tem como existir uma festa íntima. Em primeiro lugar porque comemorar aniversários é uma algo esperado. Não tem aquela de perguntar: você vai fazer alguma coisa? Se alguém faz aniversário, todo mundo que conhece a pessoa e lembra da data pode passar para dar os parabéns. Então se você fizer aniversário, trata de comprar bebidas e providenciar uns petiscos porque o convite é desnecessário, a galera vai aparecer com certeza. No aniversário do meu marido tivemos mais de setenta pessoas em casa e isso que muita gente não veio. E não existe festa surpresa? Poucas, normalmente para ser surpresa tem que ser um dia antes.

Batismos e comunhões sempre são comemorados com uma festa gigantesca, do tipo que é preciso alugar um salão, decorá-lo e imprimir convites. Não sei se existe esse costume em algum lugar do Brasil, mas eu noto que aqui e na Espanha esses dois eventos são considerados merecedores de pompa e circunstância.

Quanto às festas de criança, é quase igual ao Brasil, com temas e brincadeiras. Acho que a única diferença é que aqui sempre tem a piñata e não sei se em algum lugar do Brasil existe esse costume.

Também merecedores de uma festa grande são os aniversários de adultos que chegam a uma idade redonda, tipo 20, 30, 40, etc. e os aniversários de casamento a cada cinco anos. Para esses dois casos, a festa também costuma ser comemorada num salão ou restaurante e são enviados convites. Que eu me lembre no Brasil somente as bodas de prata ou de ouro são comemoradas com festa, quando são, porque a maioria dos casais que eu conheço não dá muita bola para isso.


Isso significa que a nossa vida social é agitadíssima. Às vezes temos que esperar vários fins de semana para poder ir ao cinema porque praticamente todos os sábados e domingos ou nós temos uma festa ou nossos sogros (e babás oficiais) têm.

E deixa eu ir terminando o post porque preciso sair para comprar um presente de comunhão... ;)

11 de maio de 2011

Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou com uma carta na mão

Tem algumas coisas que funcionam no Brasil e que muita gente não dá valor. Uma delas é são os correios. A minha experiência com o correio brasileiro sempre foi excelente. Já em relação aos outros países que morei, dá pra fazer um ranking.

O correio holandês é impecável. Tudo o que você manda ou recebe vem a tempo, ninguém abre nada nunca. Minha mãe mandava sedex do Brasil e demorava quatro dias. Isso porque o pacote saía de Campo Grande. Imagino que se saísse de São Paulo, um dia seria economizado.

Então, voltamos a morar na Espanha. O mesmo sedex passou a demorar duas semanas para chegar. O sistema de correios do Brasil permite que você saiba exatamente onde está o seu pacote através de um sistema de rastreamento: a caixa tem um código de barras que é lido em cada lugar que ele chega. E nós comprovávamos que dois dias depois de enviado lá em CGR, o pacote chegava na Espanha. O que ele ficava fazendo lá nos doze dias seguintes até ser entregue para mim, eu nunca fui capaz de entender. Fora os extravios. Cartas simples enviadas da Holanda demoravam dez dias para chegar, quando chegavam. Uma vez enviamos um pacote com presentinhos para um bebê de uma amiga que nasceu na Holanda e o pacote sumiu. Como não tínhamos feito seguro (nunca imaginamos que precisássemos fazer um seguro para um sedex), só ouvimos umas desculpas e nada foi feito. Também sumiram ou foram devolvidos alguns pacotes enviados para nós, sem nenhuma explicação plausível. Quando a filhota nasceu, mandamos cartões de nascimento (nem sei se existe esse nome em português, mas é uma tradição holandesa - geboortekarten). Já quem recebeu e quem não recebeu e quando recebeu foi uma loteria. Nossos amigos holandeses receberam os cartões um dia depois de postado. Começamos a receber os telefonemas de parabéns no dia seguinte, incrédulos. Os cartões enviados para a Espanha chegaram uma semana depois.

E os de Aruba demoraram meses. Sim, meses, porque os correios daqui batem todos os recordes de ineficiência que existem. Hoje eu recebi uma carta enviada no Brasil no dia 10 de março, parece piada. E as cartas enviadas para qualquer parte do mundo também demoram, em média, dois meses para chegar. Todos os pacotes enviados por sedex pela minha mãe chegam abertos. Até agora nunca sumiram com nada do que tinha dentro, mas eles sempre abrem para dar uma conferida.

Mas, curiosamente, as contas de água, luz, telefone e a publicidade comercial sempre chegam a tempo. Um dia eu ainda vou entender como funciona essa ineficiência seletiva...

10 de maio de 2011

As Quatro Estações

Aviso: esse blog mudou de endereço. Para ler o post, clique no link abaixo:


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6 de maio de 2011

Tá quente, tá frio

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4 de maio de 2011

Água de beber, água de benzer, água de banhar

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3 de maio de 2011

Nesse Mar, Nessa Ilha


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O Que Será

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